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Fechando o ano de 2017, apresentamos o segundo volume do vigésimo terceiro número da Revista Rua. Entre textualidades que se organizam de modos distintos, na literatura, na música, nos memes, no facebook, na mídia, nas ciências, flagramos pontos de identificação e subjetivação dos sujeitos, por entre frestas que os autores do conjunto de textos aqui reunidos nos fazem ver e compreender. Abrindo a seção Estudos, temos Espacios fragmentados en la frontera de México: la narrativa de Luis Humberto Crosthwaite y Eduardo Antonio Parra, de Ana Lúcia Trevisan, no qual a autora nos mostra como vai se construindo representações tensas sobre o funcionamento simbólico de espaços fronteiriços nos contos que são analisados e trazidos a público. Gabriel Capelossi Ferrone em seu O filho da dor: espacialidades em Desde que o samba é samba, de Paulo Lins, faz um trajeto por entre samba e umbanda, por meio do romance de Paulo Lins, buscando compreender a heterogeneidade dos espaços que se constrói nas relações – violentas ou não – daqueles que circulam por estes espaços de modo dividido. Em “Aqui em Rondônia é assim”: representações imaginárias em memes cômicos sobre os rondonienses, de Ilka de Oliveira Mota e Erich Lie Ginach, podemos compreender as contradições e equivocidades que funcionam quando temas são antagonizados, afetando a configuração de processos de significação entre sujeitos e espaços que ficam como que colados, atados, um a outro. As autoras Lucília Maria Abrahão e Sousa, Dantielli Assumpção Garcia e Daiana de Oliveira Faria apresentam, em Eu curto, tu curtes, ele (não me) curte: Notas sobre o funcionamento de arquivos no Face, uma análise que nos mostra a administração dos sentidos e, portanto, dos sujeitos, que se exerce no funcionamento de arquivos digitais como aquele que se configura em torno do que pode ou não circular dentro da rede do facebook. Em (Des)igualdade de gênero e a (i)mobilidade urbana contemporânea: uma visão goffmaniana, de Naomi Elizabeth Orton, a autoraanalisa modos de subjetivação no espaço e, particularmente, em movimentos sociais, observando especificamente como, nesses movimentos, pode-se compreender as relações desiguais entre gêneros se estabelecendo. Patrícia Fino e Helio Hintze nos apresentam, em seu Jogada de Médici: o uso da loteria esportiva pelo regime militar brasileiro, a loteria esportiva como uma estratégia dos governos militares pós-golpe de 1964 bastante consistente por meio de análises das matérias que tinham a loteria como tema. Em O direito ao (in) compressível: arte, cidade, paisagem e transformação social, de Catharina Pinheiro Cordeiro dos Santos Lima, Elaine Moraes de Albuquerque, Gabriel Cordeiro dos Santos Lima e Hulda Erna Wehmann, podemos compreender a importância de trazer, ao refletir sobre o direito à cidade e, particularmente, sobre o direito ao lazer, o dissonante para dentro das práticas urbanas, fazendo ver que aquilo que pode vir a ser tomado pela sociedade como secundário ou supérfluo, possa ser essencial de ser levado em consideração nas políticas urbanas. Felipe Augusto Santana do Nascimento nos traz, com seu Ler a cultura hoje: a construção do consenso nas políticas culturais do Estado brasileiro, uma interessante forma de compreender o processo de univocidade que perpassa o lugar da cultura no Brasil, nas políticas públicas culturais, que, sob a evidência do estatuto jurídico de democracia, esfacela a cultura como um bem, próprio de uma ideologia burguesa. Em Aldeias indígenas urbanas: fronteiras discursivas e percursos identitários, de Vânia Maria Lescano Guerra e Laura Cristhina Revoredo Costa, as autoras procuram compreender o percurso identitário dos indígenas, instaurado nos processos de significação dos discursos, a partir das letras das músicas do grupo de rap indígena Brô MC's. Valeira Zanetti, Maiara Sanches e Robson Oliveira, em Campos do Jordão: a memória como campo de disputa, nos mostram a memória como um campo de disputa, valendo-se dos conceitos de hegemonia de Antonio Gramsci e de Memória Coletiva de Halbwachs, articulados às Cidades Invisíveis de Ítalo Calvino, os autores estabelecem uma relação entre Campos do Jordão e a “invisível” cidade de Irene. Em Mídia Territorial Resiliente. Aportes para um debate na Geografia da Comunicação, de Paulo Celso da Silva, o leitor se encontra com Barcelona como um espaço de estudo em que se pode procurar compreender as relações entre mídia e cidade, mídias e tecnologias como estruturadoras do espaço urbano e de seus territórios de entorno, locus em que o autor procura compreender como aplicativos e redes sociais podem ou não auxiliar nas relações aí estabelecidas dentro de uma dinâmica denominada por ele de Mídia Territorial Resiliente. Fechando a seção, temos O estudo das avenidas como método de análise sobre o desenho urbano da cidade, de Mariana Sousa de Andrade e Lysie dos Reis, no qual as autoras, considerando o desenho urbano como linguagem, analisam a cidade de Feira de Santana, na Bahia, a partir das transformações em seu desenho, principalmente de sua malha viária, de modo a compreender as práticas sociais citadinas que aí se constituem.

O leitor ainda conta com a seção Artes da revista que apresenta, nesse volume, duas sequências de quadrinhos de David Lee: Paranapiacaba e 1989. E na seção Notícias e Resenhas, o leitor tem acesso, como sempre, a uma pequena síntese das atividades do Labeurb no segundo semestre do ano e a uma resenha. Neste volume temos a resenha feita por Amanda L. Jacobsen de Oliveira, Juliana Prestes de Oliveira e Anselmo Peres Alós sobre o livro de "Mulheres e literatura: (trans)formando identidades.", de Rita Terezinha Schmidt.

Boa leitura!