O livro “Vozes da Sociedade: Questões Políticas e Sociais – Volume 7” foi publicado no final de setembro pela editora Ópera. Em 15 capítulos, reúne textos que buscam problematizar as múltiplas vozes que compõem o tecido social brasileiro. Os temas discutidos passam por questões de raça, gênero e sexualidade, trabalho, violência e assistência social. Pesquisadores do Laboratório de Estudos Urbanos (Labeurb) da Unicamp participaram de dois capítulos.
“Vulnerabilidade, uma palavra-discurso” é o título do capítulo 11, escrito por Greciely Cristina da Costa; Marcos Aurelio Barbai; Claudia Regina Castellanos Pfeiffer; Cristiane Costa Dias; Isadora González Marchesini; Ivana Barreto do Amaral; Giovana Ferreira Frau; Luziene Aparecida da Luz; Paulo Eduardo Bassi Arce; e Sandra Regina dos Santos.
O texto demonstra como, ainda que seja uma palavra estruturante nas políticas públicas da assistência social, a palavra vulnerabilidade não tem sentidos fixos. Para avaliar como o termo circula, os pesquisadores utilizaram verbetes de dicionário e matérias jornalísticas de três veículos diferentes. Os resultados mostram como a palavra se associa com questões de segurança pública, baixa renda e escolaridade e idade em tentativas de quantificar ou medir a vulnerabilidade. Os autores argumentam que esse processo “coisifica” a vulnerabilidade e ajudam a criar uma classificação que determina quais sujeitos são dependentes de políticas sociais.
E o capítulo 12 entitulado "A construção processual do projeto coletivo “vulnerabilidade social, política pública e discurso na cidade”, escrito por Claudia Regina Castellanos Pefeiffer; Greciely Cristina da Costa; Cristiane Costa Dias; Marcos Aurelio Barbai; Luziene Aparecida da Luz; Isadora González Marchesini; Paulo Eduardo Bassi Arce; Giovana Ferreira Frau; Ivana Barreto do Amaral; Kelly Karina Oliveira de Almeida.
Este texto apresenta a construção coletiva do projeto de pesquisa e extensão “Vulnerabilidade Social, Política Pública e Discurso na Cidade”, desenvolvido desde 2024 pelo Labeurb/Nudecri/Unicamp em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social de Campinas. Fundamentado na Análise de Discurso, o projeto investiga os sentidos de vulnerabilidade social nas políticas públicas, nas práticas dos profissionais da assistência social e nas experiências da população atendida. A iniciativa busca promover a troca de conhecimentos entre universidade e sociedade, contribuindo para a reflexão e a transformação das políticas públicas de assistência social.

Trabalho em conjunto
Ambos os capítulos são resultado das pesquisas realizadas no âmbito do projeto “Vulnerabilidade Social, Política Pública e Discurso na Cidade”, realizado em Cooperação Técnico-Científica com a Vigilância Socioassistencial da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social (SMDAS) da Prefeitura de Campinas. No capítulo 12, pesquisadores e trabalhadores da Assistência Social apresentam os caminhos percorridos pelo projeto de pesquisa e extensão.
O Termo de Cooperação Técnico-Científico foi firmado em outubro de 2024, após o surgimento de uma demanda por aprimorar estudos socioterritoriais realizados pela SMDAS. O objetivo da parceria é analisar como a vulnerabilidade social é compreendida nas políticas públicas, pelos usuários da assistência social e seus profissionais. Além disso, buscam identificar se o termo está associado a ideias de risco e como essa relação se conecta com a prestação dos serviços de proteção social.
Atualmente, o grupo é composto por 19 pesquisadoras e pesquisadores: 04 pertencentes ao Labeurb/Nudecri/Unicamp e 15 pertencentes à Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social, entre psicólogos e assistentes sociais que atuam na rede de Proteção Social Básica (PSB) e Proteção Especial de Média Complexidade (PSEMC). Os trabalhos são realizados em encontros mensais que debatem textos temáticos, relacionando-os com o dia a dia da prática. Os recortes discutidos pelo grupo até o momento foram: cidade e linguagem, discurso, vulnerabilidade digital, capitalismo, moradia e saíde do trabalhador.
Para Greciely da Costa, uma das autoras dos capítulos, essa cooperação é a parte mais interessante e inovadora do projeto. “Tem sido a oportunidade de realizar um projeto de extensão em seu sentido mais forte que é de uma troca de saberes e experiências, bem como a construção coletiva de espaços de reflexão sobre a sociedade”, reforça a pesquisadora.
por Mayra Trinca