Fórum permanente integra pesquisas interdisciplinares sobre IA, resiliência climática e comunicação

Pesquisadores e produtores envolvidos em projetos sobre café, cacau e citros se encontraram na segunda-feira (31) para o fórum permanente “IA e Resiliência Climática na Agricultura Tropical”. Durante as apresentações, foram apresentados resultados de projetos que investigam a adaptação climática das principais culturas tropicais do Brasil.

O evento foi organizado pelo Brazilian Institute of Data Science (BI0S), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em parceria com  Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) e Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).

Ao longo de quatro mesas temáticas, foram apresentados projetos que unem sensoriamento remoto, economia, agricultura e ciências do clima com percepção pública de ciência e ciência cidadã. Giovanni Moura de Holanda, pesquisador da FITec e coordenador do projeto CacauClima, explica que a Inteligência Artificial atua principalmente na análise dos dados, como uma ferramenta integradora. Mas também vai além: os modelos generativos podem ser utilizados para melhorar a interação com produtores, através de aplicativos que ajudam a identificar possíveis doenças que afetam as plantações.

Percepção e mudanças climáticas
Pesquisadoras do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (Nudecri), Claudia Pfeiffer e Simone Pallone, estiveram presentes como parte da equipe dos projetos Coffee Change e CacauClima. Ambos os projetos são desenvolvidos em parceria com o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), no âmbito da trilha Agro, do BI0S.

Os projetos investigam como culturas de café e cacau são afetadas pelas mudanças climáticas e como os produtores percebem, se informam sobre e se preparam para cenários futuros. “Comunicar ciência não é apenas tornar o conhecimento científico acessível”, diz Pallone. “É construir relações entre ciência e sociedade, reconhecer diferentes formas de conhecimento e criar condições para diálogo, participação e cidadania”.

Em sua fala, Pallone, pesquisadora do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) e supervisora de jornalismo científico da trilha Agro, destacou como os modelos de comunicação evoluíram nos últimos anos. Há um direcionamento maior para participação de diferentes atores no processo científico, nesse caso, os produtores de café e cacau, ao invés de focar em sanar déficits de conhecimento.

Além da divulgação, que cobre diferentes veículos e formatos, a trilha Agro também se dedica a um projeto educacional, o Entrando no Clima. As oficinas são desenvolvidas no Cepagri por Daniela de Faria e supervisionado por Claudia Pfeiffer, do Laboratório de Estudos Urbanos (Labeurb). São elaborados jogos, trilhas didáticas e palestras para o ensino básico a partir de uma abordagem multidisciplinar sobre climatologia e mudanças climáticas.

Por Mayra Trinca

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O evento foi transmitido ao vivo e a gravação pode ser acessada em breve no canal do  Youtube da Pró-Reitoria de Extensão, Esporte e Cultura da Unicamp. O Cacau Clima e o Coffee Change já foram temas do Oxigênio podcast, com participação das pesquisadoras Simone Pallone e Claudia Pfeiffer.