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Neste vigésimo segundo número da revista Rua, compõem a Seção Estudos artigos que instigam o leitor a percorrer diferentes práticas urbanas – pichação, catador de lixo, propaganda, manifestações, literatura, documentário, cartografia, caminhadas, política pública, jardins urbanos. Nessa heterogeneidade de olhares, perspectivas e objetos, a revista Rua promove a possibilidade do acontecimento do por-se a ver, de modo inter ou multidisciplinar. Tatiana Amendola Sanches e Tarcisio Torres Silva abrem a seção com o artigo Grafite, inscrições afetivas e novas expressões de visibilidade na paisagem urbana de São Paulo em que a arte de rua é colocada como um modo de presença do sensível, do afetivo, afetando a paisagem urbana e, necessariamente, os sujeitos urbanos. No artigo O espaço urbano, o grafite e a identidade do sujeito catador de Luciana Fracasse Stefaniu e Luciana Di Raimo, apresenta-se uma reflexão sobre os efeitos de sentido, no processo de identificador do catador, de a carroça passar a ser um suporte para a arte. Paula Chiaretti, por sua vez, procura compreender modos de subjetivação do slogan Tim, você sem fronteiras em Discurso, subjetividade e novas tecnologias: você, sem fronteiras, aliando a Análise de Discurso e a Pscanálise. Em A construção da memória do sujeito contemporâneo a partir de arquivos-monumentos de Eliane Righi de Andrade e Paula Cristina Somenzari Almozara, o leitor acompanha, por um olhar interdisciplinar, a formação da memória do sujeito contemporâneo, constituída pelos arquivos, a partir de recortes das manifestações sociais de 2013. Franco Sandanello, no artigo Em nome do Pai: autoritarismo e discurso patriarcal n’O Ateneu, de Raul Pompéia, discute elementos pontuais da narração do romance O Ateneu, de Raul Pompéia, trabalhando no contraponto entre a memorável e a repetição, ponto central da crítica de Pompéia ao Brasil Monárquico. Em Quando a pauta é Cuba: o jornalista assujeitado às suas evidências de Juliana Sangion e Amanda Cotrim, o leitor pode acompanhar o funcionamento do imaginário na constituição de sentidos do documentário Impressões de Cuba, produzido pela Globo News. Em Buscando alternativas cartográficas: uma metodologia de subversão do sistema de informação geográfica, Cristiano Nunes Alves parte da construção de uma geografia renovada, amparada numa metodologia de pesquisa maleável, conduzindo a uma produção cartográfica mais flexível e acessível. Helena Mendonça Faria e Cristina de Araújo Lima, no artigo Andar a pé: Mobilidade urbana e sustentabilidade nas regiões metropolitanas brasileiras analisam conceitos, legislações e dados sobre usos e usuários, nas práticas de mobilidade urbana e nas políticas públicas. Em Um olhar político para a educação ambiental do Programa Nacional de Educação Ambiental (PRONEA), Andréa Quirino de Luca, Suzy Lagazzi e Marcos Sorrentino procuram compreender a historicidade do documento da política pública de educação ambiental do Brasil, assim como dar visibilidade aos pré-construídos e condições de produção que sustentam seu discurso. Fechando esta Seção, En Maringá el césped del vecino es más verde: floras de patios urbanos de distintas clases sociales de Fabio Angeoletto, Jeater Waldemar Maciel Correa dos Santos e Camila Essy, o leitor observa uma análise sobre a relação entre os gêneros de plantações em quintais urbanos e as condições materiais de existência dos sujeitos e espaços analisados. Na Seção Artes contamos com a obra Ao Meio-dia, de autoria de Maria Lúcia Nardy Bellicierie e ilustrações de Fernanda Nardy Bellicieri. E na Seção Notícias e Resenhas, além de o leitor acompanhar parte das atividades desenvolvidas pelo Labeurb, encontra-se publicada a resenha Cidades em crise: conflitos de interesses no território urbano, escrita por Danila Martins de Alencar Battaus sobre o livro de Ermínia Maricato Para Entender a Crise Urbana publicado em 2015.

Boa leitura!