Ensino de Inglês no Brasil
Por: Marisa Grigoletto
O A lingua inglesa no Brasil|inglês tem sido a escolha predominante na oferta de línguas estrangeiras modernas nas escolas brasileiras há pelo menos três décadas, como decorrência da dominância dessa língua no cenário mundial. Essa hegemonia do inglês teve como consequência o empobrecimento dos currículos escolares, com perda de diversidade e pluralidade no que se refere ao ensino de línguas estrangeiras.
O ensino de inglês no Brasil teve início em 1809, por força de um decreto de D. João VI, que instituiu a primeira cadeira de inglês e de francês na colônia. O ensino dessas línguas manteve-se, contudo, bastante precário e restrito, mesmo após a independência. Foi somente a partir da fundação do Colégio Pedro II, em 1837, que o ensino secundário passou a ser, de fato, regulamentado. Mas, segundo estudiosos, foi preciso aguardar a Reforma Francisco de Campos em 1931 para que o ensino de línguas estrangeiras passasse a ser tratado com mais seriedade. Um aspecto importante da reforma foi a introdução de mudanças referentes tanto ao conteúdo quanto à metodologia de ensino de línguas estrangeiras modernas.
Em relação ao inglês, seu estudo figurou como obrigatório na escola secundária, desde a segunda metade do Império (com as modificações introduzidas em 1855) até o início da República, ao lado do francês e do alemão. Já na República, as sucessivas reformas introduzidas no ensino fizeram com que o inglês oscilasse entre obrigatório e opcional, em alternância com o alemão, antes de 1931. A partir da reforma de 1931, o inglês voltou a compor o currículo da escola secundária como disciplina obrigatória, juntamente com o francês, assim permanecendo até a primeira Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1961. Essa legislação, bem como as edições posteriores da LDB, deixou de predeterminar quais idiomas estrangeiros comporiam o currículo. Em 1971, após a suspensão de obrigatoriedade de oferta de línguas estrangeiras instituída com a LDB de 1961 e sua substituição pela recomendação de ensino dessa matéria desde que houvesse condições para tal, o ensino de uma língua estrangeira moderna voltou a ser obrigatório, ainda que essa condição se restringisse ao então denominado 2º grau (atual ensino médio). Essa situação foi parcialmente alterada com a LDB de 1996, cujo texto estabelece o ensino obrigatório de pelo menos uma língua estrangeira a partir da 5ª série, de escolha da comunidade escolar, e uma segunda, em caráter optativo, no ensino médio. Embora a legislação não determine a língua a ser ensinada, a expressiva predominância do inglês tem se mantido, pelas razões já apontadas. O panorama tende a se alterar com a sanção de lei federal de 2005, que torna obrigatória a oferta do espanhol no ensino médio nas escolas públicas e privadas brasileiras, além de outra língua estrangeira.
O número de horas semanais de ensino das línguas estrangeiras variou bastante ao longo do tempo, decrescendo como resultado das reformas dos períodos imperial e republicano até 1931 e voltando a aumentar com a Reforma Capanema de 1942. A LDB de 1961 reduziu o ensino de línguas a menos de dois terços do que havia sido instituído em 1942. Com as edições posteriores da LDB, o número de horas de estudo deixou de ser regulamentado por lei federal.
A opção pelo inglês como língua estrangeira moderna continua dominante na educação básica. Entretanto, seja pelas deficiências experimentadas pela escola brasileira ao longo de muitas décadas, seja pela força do imaginário sobre a forma “correta e eficaz” de aprendizado de uma língua estrangeira, difundiu-se uma percepção imaginária na sociedade brasileira de que, na escola oficial de ensino fundamental e médio, sobretudo na pública, não é possível aprender línguas estrangeiras, tarefa bem sucedida apenas em cursos livres de idiomas. O ensino de inglês na rede oficial sofre os efeitos desse imaginário.
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Publicado em: December 15, 2010