História da presença do inglês no Brasil
Por: Deusa Maria de Souza Pinheiro Passos
O poderio econômico britânico nos séculos XVII, XVIII e XIX explica em grande medida a disseminação da A língua inglesa no Brasil|língua inglesa, não somente no Brasil, mas também em outros países, colonizados ou não pela Inglaterra.
Embora a legislação portuguesa proibisse a entrada de estrangeiros no Brasil, no período colonial, por volta de 1660, já havia, ainda de forma esporádica entre nós, falantes nativos de língua inglesa, como consequência da relação de dominação econômica da Inglaterra em relação a Portugal. Dentre os vários tratados firmados a partir do século XVII, o de 1654, produzido durante o governo de Cromwell, afirmava a supremacia britânica com relação a Portugal, em vários níveis, extensiva às suas colônias, com destaque para o aspecto comercial. No caso do Brasil, o acordo concedia à Grã-Bretanha o direito de instalar até quatro famílias inglesas em regiões de importância comercial: Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro.
Mais especificamente, as relações anglo-brasileiras ganham corpo por volta de 1808, quando da abertura dos portos às chamadas “nações amigas”, o que, em termos práticos, significava priorizar contatos comerciais com a Inglaterra, que via no Brasil oportunidade de expansão comercial e industrial, valendo-se dos moldes que até então haviam marcado sua relação com Portugal. A vinda da família real, no mesmo ano, contribuiu de forma decisiva para acentuar a influência inglesa no país. Para cá se dirigiram muitos comerciantes e aventureiros, concentrando-se, sobretudo, no Rio de Janeiro, Salvador e Recife. Os portos brasileiros presenciaram a entrada dos mais variados tipos de produtos britânicos: vidro, ferro, cobre, sapatos, roupas, lã etc. Além do comércio, os ingleses marcaram superioridade técnica em empreendimentos de mineração, construção de estradas de ferro, iluminação a gás, energia elétrica, nas primeiras redes de esgoto, barcos a vapor e transportes coletivos. Nesse contexto, o papel da língua inglesa foi fundamental, na realização das transações comerciais, transmissão dos conhecimentos técnicos e científicos, assim como encontros diplomáticos.
No que diz respeito à vertente norte-americana, a entrada de cidadãos provenientes dos Estados Unidos se dá após o final da Guerra de Secessão, quando as dificuldades dos confederados derrotados na guerra desencadearam um dos maiores êxodos populacionais da história dos EUA. Parte dessa população, buscando fugir das condições precárias em seu país de origem, considerou atraentes as facilidades oferecidas pelo imperador D. Pedro II para que plantadores de algodão viessem para o Brasil, decidindo deixar os EUA e aventurando-se em terras brasileiras (São Paulo, Paraná, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Pará). Não há estatísticas precisas quanto ao número dos que vieram para o Brasil, naquele período, mas estima-se algo superior a dez mil confederados, dos quais boa parte acabou retornando aos Estados Unidos, após alguns anos de permanência malsucedida. É preciso lembrar que os imigrantes norte-americanos enfrentaram dificuldades no processo de adaptação no meio sociocultural brasileiro (marcado por muita resistência dos próprios imigrantes), no que diz respeito a habitação, alimentação, vestuário e língua. Núcleos imigratórios que obtiveram destacado sucesso foram aqueles que se instalaram nas regiões de Americana e Santa Bárbara d´Oeste, em São Paulo.
O inglês se consolida no Brasil, de forma decisiva e com reflexos até os dias de hoje, a partir de 1940, porque os EUA, no fim do século XIX, já eram uma potência no âmbito econômico-técnico-científico e também em razão de sua participação nas duas guerras mundiais. Por problemas de ordem política e econômica, o Brasil se colocou sob a égide americana. Projetos estadunidenses de promoção de sua cultura no exterior contribuíram para ampla divulgação do chamado American way of life. Ações do Birô Internacional, na linha política da “boa vizinhança”, relativas especificamente a aspectos educacionais, ampliaram o número de escolas e institutos culturais americanos, promovendo intensamente a difusão da língua inglesa, por meio de livros, discos, filmes e outras formas de expressão.
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Publicado em: December 15, 2010