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metrópole e cultura

José Horta Nunes


O processo de urbanização ocorrido durante o século XX levou a transformações culturais significativas, relacionadas a certas configurações dos espaços das metrópoles. Se, enquanto regiões de planejamento, reunindo dois ou mais municípios, as metrópoles demoram a se instituir, no campo cultural desde o início observamos as conexões. No caso brasileiro, vemos na cidade de São Paulo, durante o século XX, uma série de alterações que afetaram as relações de sentido que envolvem cidade e cultura. Para além dos sentidos de junção territorial e ampliação da rede de transportes intramunicipais, os sentidos culturais podem ser remetidos ao processo de constituição das metrópoles. Quando relacionados às metrópoles, os movimentos culturais são significados em meio à pluralidade e à diversidade social, bem como a distintos espaços em que eles se estabelecem dentro da fragmentação da malha urbana.

No livro Metrópole e Cultura, Maria Arminda do N. Arruda, ao abordar as transformações da “Grande São Paulo”, em meados dos anos 1950, mostra que a cultura passou a ser vista, em uma conjuntura metropolitana, em sua dimensão de pluralismo, complexidade, fragmentação, conflitos, rompendo com as concepções que mantinham sentidos passadistas. De um lado, as novas diretrizes culturais sustentaram-se, não no nacionalismo do primeiro modernismo, mas nas concepções advindas com as modificações do modernismo no pós-guerra, ou seja, em um universalismo cosmopolita, construído com base no racionalismo, no objetivismo, no progresso, na ciência e na tecnologia, na valorização do presente e do futuro e não do passado e da história; de outro lado, as mesmas transformações se efetivaram por meio de uma pluralidade cultural, uma diversidade social, em um terreno instável e de mobilidade. Assim, de um lado, temos um formalismo universal, e de outro, uma diversidade de expressões culturais que compreende uma pluralidade de linguagens.

Ainda conforme Arruda, na Grande São Paulo que então se configurava, apresentava-se um mosaico de agregações étnicas, raciais e culturais. Com o fluxo (i)migratório incorporaram-se à população da metrópole imigrantes de procedências diversas, dentre os quais italianos, portugueses, espanhóis, japoneses, sírios, libaneses, poloneses, judeus, armênios, alemães; e do espaço nacional, migrantes da Bahia, de Minas Gerais, de Pernambuco, de Alagoas, do Ceará, de Sergipe. Agregando municípios circunvizinhos, a conurbação envolveu: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Guarulhos, Caieiros, Diadema, Embú, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Franco da Rocha, Osasco, Mauá, Poá, Suzano, Barueri e Taboão da Serra. Além dos sentidos habitualmente conferidos à conurbação, enquanto ausência de fronteiras físicas entre municípios ou mudanças nos transportes intermunicipais, vemos o sentido cultural surgir diante da pluralidade social que aí se instala, na ligação entre os diferentes espaços metropolitanos. Dentro desse contexto de urbanização, no jogo entre a unidade e a diversidades, ocorre uma institucionalização da cultura metropolitana, com a criação, dentre outros, do Museu de Arte Moderna, do Teatro Brasileiro de Comédia, da companhia Vera Cruz de cinema, do Parque Ibirapuera. Acrescente-se a isso os lugares de cultura e sociabilidade como bares e pontos de encontro, assim como o diálogo entre intelectuais ligados, por exemplo, à Universidade de São Paulo, e vanguardas como a do movimento concretista.

Nas últimas décadas, surgem manifestações culturais que fogem aos circuitos centrais da cidade, como os que se tem considerado como “cultura da periferia” e, com as novas tecnologias, os “circuitos culturais em rede”. Sob a nomeação de “periferia”, ou de “comunidade”, artistas e manifestações se reúnem em torno de traços comuns de pertencimento a espaços segregados, marginalizados, que no entanto apresentam grande vivacidade cultural, com os movimentos culturais e identitários, as artes visuais incluindo o grafite, a literatura marginal, o movimento Hip Hop, a arte de rua, etc.

Uma série de eventos realizada em São Paulo aponta para as novas modalidades de cultura na ligação com espacialidades urbanas. Com o título de “Mostra e Seminário Estética das Periferias – Arte e Cultura nas bordas da Metrópole”, foram realizados em 2011 e 2012 seminários e mostras em espaços centrais e periféricos (Santo Amaro, Heliópolis), abordando temas relacionados à cultura da periferia, como os que viemos de mencionar. Nessa espacialização da cultura, ressurgem, sob outras formas, os manifestos vanguardistas. Desta vez, eles trazem reformulações dos enunciados modernistas, tropicalistas, etc., como em algumas sequências do manifesto “A Periferia tão longe e tão perto”, que inspirou o evento, de autoria de Antonio Eleilson Leite, coordenador de cultura da ONG Ação Educativa: “Artistas do Centro e da Periferia: Uni-vos!”;“’A periferia nos une pela cor, pela dor e pelo amor’, conclama o poeta Sergio Vaz no seu Manifesto da Antropofagia Periférica”; ”Em São Paulo, a força da grana destrói muito mais do que ergue coisas belas, mano Caetano”. Ressalte-se também nesse movimento em direção a espaços descentralizados, a criação de centros culturais, como o Centro de Convivência Educativa e Cultural de Heliópolis, que relaciona cultura e atividades educacionais, instituindo o que se tem chamado de “bairro educador” e envolvendo as comunidades e o poder público, bem como a arte popular e a erudita.

 

Referências Bibliográficas

 

 

ARRUDA, M. A. do N. Metrópole e Cultura: São Paulo no meio do século XX. Bauru: Editora da Universidade do Sagrado Coração, 2001.

MOSTRA e Seminário Estética das Periferias – Arte e Cultura nas bordas da Metrópole. http://www.esteticasdaperiferia.org.br/ programacao/seminario-3. Acesso em 11/04/2013.

 

 

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