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organizador local

José Horta Nunes


As transformações sociais e políticas da contemporaneidade são acompanhadas da formação de vocabulários em novas discursividades. Um deles é o que se constitui nos movimentos sociais, ou mais especificamente, nos discursos de organização de manifestações, de protestos ou reivindicações públicas.

O nome organizador local é um dos que têm sido utilizados para indicar os sujeitos que exercem um papel organizador dessas manifestações, ligadas às redes sociais da Internet. Vejamos esta sequência retirada do site Marcha da Maconha, no momento em que se organizavam as manifestações de 2011 no Brasil, que revindicavam a liberação da maconha:

“Ainda atendido esses critérios, todos somos apenas membros. Organizadores Locais, Organizadores Nacionais, Apoiadores, Colaboradores, sejam instituições ou indivíduos todos são membros do que atualmente se mantém existindo justamente graças à existência de uma rede de relacionamento entre instituições, profissionais, pesquisadores, ativistas, redutores de danos e membros da sociedade em geral engajados na questão. Mas todos somos membros desse Coletivo. Não temos líderes, coordenadores, caciques, nem presidentes. Muito menos presidentes honorários.” (MARCHA DA MACONHA, 2013)

Alguns nomes relacionados a organizadores locais são aí enumerados: organizadores nacionais, apoiadores, colaboradores, instituições, indivíduos. Essa série de nomes está relacionado por hiperonímia a membros desse Coletivo (“todos somos apenas membros”).

Uma outra série de nomes se apresenta em oposição a esses nomes de organizadores. São os líderes, coordenadores, caciques, presidentes, que são negados como forma de organziação. Há, desse modo, uma organização “horizontal” e “coletiva” em oposição a figuras individuais e a formas verticalizadas de relação.

Os organizadores locais, que “têm a responsabilidade pelas edições de cada cidade”, se distinguem do coletivo de que participam, cujo “núcleo central” apenas “apoia”, “orienta”, “ajuda no diálogo”.

Os sentidos que advém dessas transformações da conjuntura sócio-política estão em pleno movimento, de maneira a se trabalhar essa negação constitutiva dos sujeitos organizadores: a de fazer política negando o político.

 

Bibliografia


MARCHA DA MACONHA. [Site a favor da legalização da maconha]. [S.l.], [20--]. Disponível em: <www.marchadamaconha.org>. Acesso em: 04 jan. 2013.

 

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