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mocambo

José Horta Nunes


No dicionário Aulete Digital, vemos que mocambo apresenta uma série de acepções, com tendência a significar um tipo de “habitação precária”: uma cabana, um barraco, um casebre, uma tapera, uma choça. Na primeira acepção, somente a habitação é adjetivada e não aparece o local nem os sujeitos que nela habitam: “Habitação precária, miserável; BARRACO; CASEBRE; TAPERA”. (AULETE DIGITAL, 2015)

Na segunda acepção, a habitação é considerada em grande número e situada em um “local”: “Grande número de habitações dessa natureza agrupadas em um local” (AULETE DIGITAL, 2015). Tal local aparece de modo generalizado, enquanto a acepção é marcada como regionalismo do Nordeste.

Na terceira acepção (“Bras. Cabana que os vigias de lavoura ou de rebanho erguem para abrigarem-se“), surge um sujeito (“vigias”) e um local especificado ("de lavoura ou de rebamho"), que parece remeter às situações das fazendas. No exemplo dado, temos que se trata de um sujeito “anônimo” que vive nesse local  a “vida inteira, fielmente”, o que leva a lembrar outra palavra que poderia estar em relaçao de sinonímia; o caseiro.

Na quarta acepção, a habitação é mais simples: “choça”, que no mesmo dicionário é definida como “Cabana, casa pequena e simples, feita de ramos de árvores ou de colmo“, e os sujeitos são “escravos fugidos”, “negro humilde”, “quilombola temeroso”, de modo a evocar a memória da colonização e da escravidão.

Observe-se que, embora se mencione o local e em um dos exemplos apareça o sintagma “agrupando-se nos mocambos”, o mocambo é sempre uma habitação ou um grande número de habitações. Assim, não se define mocambo como uma aglomeração de sujeitos, mas sim como habitações que podem estar em algum local.

Em um texto do século XVII, intitulado Livro que dá Razão do Estado do Brasil (MORENO, 1612), encontramos uma das primeiras aparições da palavra mocambo. Vejamos duas sequências do texto:

“Por êste caminho fica cheio o Estado de veios de piedade, debaixo dos quais desaparecem muitas rendas à Fazenda de Sua Majestade, que sem dúvida lhe podem dar os índios, e muitas fazendas que, com suas ajudas, sendo gerais, podem aumentar-se aos brancos, evitando-se, com o cumprimento da dita lei, que se dilatem mocambos entre os negros” (Ibid., p. 110-111).

“Se os portugueses tomam as armas contra estas desordens, e com trabalhos e custo de suas  fazendas e vidas vão contra estes mocambos ou ladroeiras, e desfazendo-as trazem presos os ditos fugidos, logo a piedade dos padres e a necessidade em que deles vivem os leigos buscam leis para os não castigarem, antes repartindo entre si os largam das prisões, das quais, tanto que se vêm livres, tornam-se às aldeias dos ditos padres, que, como a gente livre que eles têm em sua proteção, de boa vontade os recolhem e ocultam, e, se parece que ali todavia os buscam os seus donos, tornam-se ao mato, de modo que fica sendo esse domínio absoluto dos religiosos uma miséria circular dos leigos, que mostra não o poder ter fim, e, não o tendo, bem se vê quão trabalhoso e quase impossível será o dito aumento.” (Ibid., p. 113-114)

Ao se ler essas sequências, percebe-se que mocambo aí não está sigificando especificamente uma habitação, mas sim um “agupamento” de negros”, situado no “mato”. Mocambo aparece também como sinônimo de “ladroeira”, de "desordem", e como local de refúgio de escravos (“negros fugidos”). Note-se ainda que no discurso de Moreno está em jogo o povoamento do Brasil e que os mocambos são vistos como obstáculos a esse povoamento, de maneira que, diferentemente dos brancos que vivem nas fazendas, a formação dos mocambos não é considerada um processo de povoamento.

Os sentidos desses discursos de colonização marcam a historicidade dessa palavra. De um lado, mocambo era visto como um agrupamento de negros, e não uma forma de habitação. E agrupamento se distinguia de povoamento, por ser um lugar considerado provisório, que se opunha ao povoamento e que era combatido do ponto de vista do conquistador.

Sabe-se que a palavra quilombo, que também já aparece no texto do Livro que dá Razão do Estado do Brasil, mantém até hoje o sentido de agrupamento de negros, mutias vezes como “comunidade” quilombola. Já mocambo é uma palavra que raramente significa esse espaço de vivência.

A leitura das acepções de um dicionário atual mostra que os sentidos de mocambo como um lugar de agrupamento de negros se diluíram, em favor da significação de alguns tipos de habitação, com adjetivações de precariedade ou simplicidade. E quando a palavra é relacionada à memória da colonização, não é o lugar de agrupamento que é rememorado, mas a habitação (“choça”). Da significação do grupo de sujeitos passou-se, então, à significação da casa, da moradia.


Bibliografia

AULETE DIGITAL – O DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA. Disponível em: http://www.aulete.com.br. Acesso em 17 de março de 2015.

MORENO, D. de C. Livro que dá Razão do Estado do Brasil – 1612. Edição crítica com introdução e notas de Helio Vianna. Recife: Arquivo Público Estadual, 1955.

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