Verbetes:
adaptação às mudanças climáticas
albergue
amolador
analfabetismo-alfabetização
andarilho
aprender-ensinar
aquecimento global
arruaça
arruaceiro
artista
artista de rua
assentamento
aterro sanitário
auxílio moradia
bairro
bairro-educador
bairro-escola
benevolo, leonardo (1923-)
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bifobia
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calçada
calçadão
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casa e corrida (foto)
catador
censo
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centro de estudos da metrópole
centro, revitalização (foto)
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ciberbullying
cibercondria
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ciclista, ciclofaixa (foto)
cidad-e
cidadania
cidadão
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cidade dormitório
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cidade global
cidade-alfa
cisgÊnero
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comunidade
comunidade
condomínio
condomínio de luxo
condomínio fechado
condomínio horizontal
congestionamento (foto)
container de lixo (foto)
contrabando
conurbação
corpografia
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crônica urbana
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denuncismo
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domicílio
droga
elevado
enchente
escola
escola de samba
espoliação urbana
estelionato
eutopia
exclusão espacial
favela
favela
favelização
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flanelinha
fobia
forma escolar
fragmentação econômica
fragmentação espacial
fragmentação social
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gari
globalization and world cities research network (gawc)
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metropolização
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ministério do trabalho e emprego
mitigação das mudanças climáticas
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morador
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mudança climática
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município
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ruão
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saltimbanco
santidade
saúde (na constituição)
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sinaleiro
solo urbano
sorveteiro
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transporte
transporte aquaviário
transporte ferroviário
transporte rodoviário
transporte urbano
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vadia
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varredor
vazio urbano
viaduto

camelô

José Horta Nunes


Uma leitura do dicionário nos leva a observar alguns modos de dizer da sociedade. Em relação às palavras que significam ocupações de sujeitos no espaço público, coloca-se a questão de saber como o estatuto da atividade é significado: atividade corriqueira, atividade profissional, trabalho, trabalho informal, etc.

A palavra camelô é definida no dicionário Aulete Digital como “Pessoa que comercia produtos na rua, às vezes sem permissão legal, e que caracteristicamente os anuncia em voz alta” (AULETE DIGITAL, 2015). Nota-se que com o uso do hiperônimo “pessoa”, com significação generalizada, nenhuma significação específica de trabalho ou profissão é atribuída ao camelô. O que é definidor, de início, é a atividade costumeira “comercia produtos” e a localização indicada pelo advérbio “na rua”.

Porém, uma outra locução adverbial (“às vezes sem permissão legal”) indica a ilegalidade da atividade e desse modo torna explícita tal signficação jurídica. Note-se que outras atividades “ilegais” são também definidas no dicionário, mas sem que isso esteja explicitado, como é o caso de flanelinha (“Pesssoa que, em troca de dinheiro, vigia veículos estacionados nas ruas”). Assim, no caso de camelô, o discurso lexicográfico introduz a visão jurídica ao lado da descrição do hábito ou costume.

A menção do modo de o camelô enunciar a comercialização dos produtos (“e que caracteristicamente os anuncia em voz alta”) marca a significação da atividade no espaço público, no contato com os sujeitos passantes interpelados como clientes. Esse modo de dizer, que se espalha em espaços centrais de comércio, em feiras, em pequenas aglomerações de camelôs, de vendedores ambulantes,  constitui a cidade enquanto mercado.

Isso se dá, nesse caso, não por meio de propagandas, outdoors, panfletos, etc., mas pelo contato oral entre vendedores e clientes, em um laço em que, para além da comercialização, está em jogo a sociabilidade do espaço público, por meio de conversações que se dão nas fronteiras entre o discurso do comércio e a identidade pública dos sujeitos.

 

Bibliografia

AULETE DIGITAL – O DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA. Disponível em: http://www.aulete.com.br. Acesso em 17 de março de 2015.

Palavras-chave:

trabalho
  -conurbação
  -escola
  -pirataria
  -mendigo
  -população em situação de rua
  -lixo
  -aterro sanitário
  -instituto brasileiro de geografia e estatística (ibge)
  -utopia
  -assentamento
  -espoliação urbana
  -fragmentação espacial
  -fragmentação social
  -exclusão espacial
  -inclusão espacial
  -bicicletário
  -ministério do trabalho e emprego
  -catador
  -lixeiro
  -varredor
  -gari
  -amolador
  -artista
  -flanelinha
  -panfleteiro
  -pedinte
  -pipoqueiro
  -sorveteiro
  -vagabundo
  -guardador de carros
  -saltimbanco
  -movimento pendular
  -comércio ilegal
  -trabalho informal
  -coletivo
  -congestionamento (foto)
  -rodovia e região metropolitana (foto)
  -bicicletário (foto)

profissão
  -aprender-ensinar
  -malabar
  -catador
  -varredor
  -gari
  -artista
  -flanelinha
  -panfleteiro
  -pedinte
  -pipoqueiro
  -sorveteiro
  -saltimbanco

trabalho informal
  -pirataria
  -guardador de carros
  -comércio ilegal
  -trabalho informal

comércio
  -rua
  -condomínio fechado
  -condomínio de luxo
  -tráfico
  -rodovia e região metropolitana (foto)

vendedor ambulante
  -população em situação de rua

espaço público
  -lixo
  -lixão
  -ruão
  -arruaceiro
  -arruaça
  -loteamento
  -fragmentação social
  -praça
  -sinaleiro
  -calçada
  -praça seca
  -praça adotada
  -monumento
  -catador
  -varredor
  -gari
  -artista de rua
  -comércio ilegal
  -container de lixo (foto)
  -lagoa (foto)
  -casa e corrida (foto)
  -lixeiras (foto)
  -praça seca (foto)
  -praça histórica (foto)
  -centro, revitalização (foto)
  -bicicletário (foto)

discurso jurídico
  -lote
  -loteamento
  -condomínio
  -saúde (na constituição)
  -flanelinha
  -município

linguagem
  -saber urbano e linguagem

camelô
  -comércio ilegal
  -trabalho informal

trabalho ilegal
  -flanelinha
  -guardador de carros




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